• Fabiana e Juliana

Cenários de consumo após a COVID-19



Ninguém aguenta mais ouvir falar de coronavírus, isso é fato! Mas vamos falar sobre o impacto disso na moda, mais especificamente, no nosso consumo.

Dois grandes cenários de comportamento de consumo são vislumbrados, afinal toda tendência gera uma contratendência. Os dois pontos de vista que mais vemos as pessoas discutindo são:

1 – Desacelerar e repensar a forma de consumir: compras mais conscientes, slow fashion, brechó, versatilização do guarda-roupa.

2 – Devido à repressão sofrida, mais feroz será nossa vontade de consumir quando a pandemia acabar, pois vamos querer descontar a ansiedade provocada pela quarentena. Algo assim aconteceu na China. A Hermès bateu recorde de faturamento – 2,7 milhões de dólares – no dia de sua reabertura pós-quarentena.

Não deveríamos seguir por esse mesmo caminho dos chineses, e que se formos consumir, que seja dos microempreendedores, que são os que mais estão sofrendo com tudo isso. Marcas grandes irão se recuperar, mas seu vizinho pode quebrar. Isso rende uma reflexão, sim?

Na realidade, não podemos ter certeza de como o mercado se comportará, porque não existe só um consumo. Temos várias gerações que consomem de formas diferentes. São baby boomers, millennials, geração Z... Não são todos que irão avaliar uma compra, e nem todos que irão comprar tudo. As pessoas são distintas, com estilos de vida diferentes.

Mas o que sabemos, é que tudo que estamos vivendo é uma situação de potencialização: todos os processos que vinham em andamento antes dessa crise vão se potencializar, e assim, podemos ter uma ideia e refletir sobre nossos comportamentos daqui em diante. É tempo de sermos flexíveis, adaptáveis.

Pessoalmente, creio que o cenário de consumo consciente irá superar os demais, e que no longo prazo se torne ainda mais forte. As pessoas já vinham desenvolvendo uma mentalidade em relação a isso, de cuidar a marca que compram, se vai de encontro aos seus valores, e agora essa tendência irá se fortalecer mais ainda.

Quando falamos em consumo consciente, não queremos dizer para que as pessoas parem de consumir, nunca mais comprem algo que não seja absolutamente necessário; nenhum dos extremos é saudável! A economia precisa continuar girando, a indústria da moda, apesar de ser uma das que mais poluem, é também uma das que mais emprega. O fato é que não podemos continuar comprando como antes. O modo desenfreado como a maioria das pessoas consume faz mal ao planeta. Temos que encontrar um meio termo, comprar mais de empresas responsáveis, coisas que sejam úteis e que vamos realmente usar e aproveitar.

Agora, as marcas terão que se reinventar, reposicionando-se, mostrando sua alma e seu propósito, para ganhar a confiança do consumidor. Produzir algo que faça sentido para a vida das pessoas, que seja bom para a natureza e para a população... É necessária uma conexão afetiva com o público, pois a grande maioria vai parar para pensar em qual é a marca que vai querer investir seu dinheiro.

Se já estávamos na era da experiência, isso se potencializa ainda mais agora. Esse impacto no processo de consumo todo gera ambientes mais acolhedores, que proporcionam momentos e que o público possa se identificar, empresas responsáveis, marcas com propósito.

Percebam: um negócio em que só o dono lucra não é sustentável e não tem propósito, e não se mantém. E nos cenários de consumo pós-coronavírus as pessoas vão querer, sim, contribuir mais para o mundo.

Para o nosso negócio ter um propósito e um diferencial, ele precisa ter três tipos lucros: um para o empreendedor, um para o cliente, e um para o mundo. Um dos meus lucros paro o mundo sempre foi o consumo consciente e pessoas mais sustentáveis. E cada vez mais vamos precisar disso!

Acredito que a consultoria seja o viés mais sustentável da moda. É claro, tudo depende de como você aborda! Cada vez mais vamos ter que adequar nossa maneira de consumir, seja por questão financeira, por mentalidade, ou, por necessidade de identificação.

Espero que isso substitua a cultura do compre para pertencer! E você, o que acha disso? Como será o consumo depois da COVID-19? Acha que teremos uma mudança de mentalidade?

Por: Julia Pilletti

Consultora de Imagem e Estilo, Designer de Moda.

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