• Fabiana e Juliana

Design Biofílico como ferramenta de projeto para ambientes mais saudáveis



*por Bia Raffaeli, Arquiteta e Urbanista especialista em Design Biofílico


Após a passagem da COVID-19, a conexão entre ambiente físico de trabalho e o bem-estar será mais clara do que nunca. Com isso, as empresas buscarão estratégias para se tornarem locais mais saudáveis e seguros para seus colaboradores: o foco será na experiência humana e no bem-estar das pessoas.


Diversos processos de transformação foram desencadeados em nossa sociedade com a chegada da pandemia e as pessoas começaram a rever sua necessidade de conexão/contato com a natureza. Nesse sentido, a busca por uma forma de design baseado na empatia, que traga saúde e segurança, que diminua a taxa de doenças e que alivie sintomas, que melhore as funções mentais, que ajude a reduzir o estresse e a ansiedade, que eleve o humor de maneira a melhorar o bem-estar geral e impulsionando a produtividade será ainda mais necessária.


O Design Biofílico (tema de outro artigo disponível no blog da Pulse Arquitetura Comercial) parece surgir como uma opção válida para os espaços corporativos, já que propõe a reconexão das pessoas com a natureza. Essa configuração arquitetônica busca trazer a experiência benéfica da natureza para o ambiente construído. Afinal, somos seres biológicos moldados na natureza, fazemos parte dela e precisamos estar em contato com ela para termos saúde plena.


Assim, tendo a natureza em mente, é possível repensar o planejamento de nossos espaços a partir de uma visão de colaboração e cooperação e não de dominação e de degradação. Para tanto, o Design Biofílico recomenda que alguns pontos sejam incluídos no momento da construção do projeto arquitetônico como forma de garantir ambientes mais saudáveis para seus usuários, são eles:


  • Ar puro: pensar na qualidade interna do ar é uma questão fundamental para a nossa saúde. A ventilação natural é a maneira mais eficaz para eliminar possíveis vírus e bactérias presentes no interior do ambiente. Além disso, ela é responsável por reduzir os níveis de dióxido de carbono, melhorando nosso conforto, humor e concentração;

  • Iluminação natural: esse é o principal fator para sincronizar o nosso ritmo circadiano – ciclo biológico diário, responsável por diversas funções no nosso organismo como a regulação da nossa imunidade, do estresse e do nosso sono. Assim, é preciso proporcionar acesso à luz natural em nossos ambientes de trabalho;

  • Vistas para o exterior: as vistas para o exterior também são de extrema importância. Precisamos nos conectar o mundo, percebendo a paisagem natural, o clima e a passagem do dia. Isso proporciona maior bem-estar, maior energia, menos ansiedade e estresse;

  • Conexão com a fauna e flora local: nós, profissionais da construção, temos a responsabilidade de resgatar a fauna e a flora local, preservando os ecossistemas e conectando as pessoas aos mesmos. É possível trabalhar as áreas adjacentes como entradas, térreo, sacadas, terraços e até mesmo o interior do edifício proporcionando conexões das pessoas com a flora e fauna local, seja por meio de jardins, paisagens, paredes verdes, telhados verdes, vasos de plantas que por sua vez atrairão borboletas, abelhas, pássaros… E resgatarão a biodiversidade.


Essa forma de design pensa na relação das pessoas com a natureza, atendendo às nossas necessidades biológicas e dos sentidos. A atualidade exige profissionais com este conhecimento para melhorar os espaços corporativos. Há uma necessidade de mudança de paradigma na maneira como projetamos e construímos ambientes de trabalho, reconhecendo que a experiência positiva dos sistemas e processos naturais é fundamental para a saúde, desempenho e bem-estar humano.


O Design Biofílico é necessário para conectar e fortalecer a vida, para apoiar as necessidades cognitivas, sociais e psicológicas das pessoas nos espaços construídos. A percepção de uma construção saudável e segura, para proporcionar confiança entre as pessoas e o ambiente, decorre do desenvolvimento desse tipo de ambiente. Atender essa essencialidade nos espaços proporciona saúde mental e física para os colaboradores e frequentadores do local além de promover saúde para o planeta.


Além disso, à medida que o trabalho remoto se expande e permite que as pessoas possam, de fato, trabalhar de qualquer lugar, é provável que o papel principal dos ambientes de trabalho mude. Os escritórios poderão se tornar espaços de reunião e colaboração. Podemos repensar o ambiente corporativo como um espaço social que une os funcionários, o que pode melhorar o desempenho dos negócios. Isso porque, os seres humanos precisam de interação/conexão social para ter saúde/felicidade e esses espaços podem ser repensados para proporcionar esta convivência e troca.


Essas tendências de comportamentos fazem parte dos princípios do Design Biofílico como proporcionar um envolvimento imersivo e sustentável da natureza nos ambientes, elaborar soluções de design que promovam saúde e bem-estar para as pessoas e desenvolver conexões positivas entre as próprias pessoas e entre as elas e natureza local. Fica claro que essa forma de design é o caminho para criarmos ambientes saudáveis e de cura para as pessoas e para o mundo natural.



Bia Raffaeli

Arquiteta graduada pela PUCRS, com mais de dez anos de experiência. Trabalhou com a líder do Design Biofílico Elizabeth Calabrese no workshop sobre o tema em Nova York, na Conferência Cities Alive 2018. Profissional Qualificada e Certificada PRO pela Healthy Building Certificate – HBC PRO. Participação como palestrante de Design Biofílico em diversos eventos. Elaboração de workshops e cursos para aprendizado e prática do Design Biofílico. Consultora para equipes de projetos com a biofilia em mente: como a nossa saúde e o bem-estar estão intrinsecamente ligados à conexão com a natureza.


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