• Fabiana e Juliana

Design Biofílico: uma tendência no varejo



Atualmente, com o crescimento das vendas online, o setor do varejo a cada dia possui um grande desafio de reinventar-se com intenção de atrair clientes para as lojas físicas. Nesse sentido, muitas empresas estão repensando a experiência de seus consumidores e apostando no design de seus espaços para criar uma atmosfera de convivência, espontaneidade e experimentação, onde no centro de tudo está o consumidor.

Com toda esta aceleração, como podemos nos tornar relevantes neste momento? A ferramenta do Design Biofílico pode ser utilizada como uma estratégia para aumentar as vendas e garantir uma nova experiência para os clientes. Essa nova forma de design busca conectar as pessoas com a natureza através dos ambientes construídos, criando assim espaços mais produtivos e saudáveis, conectando marcas e clientes.

O termo Biofilia — em que bio significa vida e philia significa amor — foi cunhado em 1964 pelo psicólogo e filósofo alemão Erich Fromm. No entanto, o conceito começou a ser difundido apenas vinte anos depois, quando o biólogo Edward Wilson publicou uma obra que ilustrava a afinidade inata dos seres humanos pelo mundo natural e a amplitude desta conexão.


Com a mudança de nosso habitat do mundo natural para o mundo construído, o Design Biofílico é a forma encontrada para desenvolver um ambiente construído mais saudável, estabelecendo uma vivência mais próxima da natureza por meio da vegetação, luz natural e outros materiais naturais, por exemplo.

Ao incorporar os princípios e estratégias propostos pelo Design Biofílico nos espaços de varejo, a empresa proporciona uma reconexão inconsciente com a natureza. Conforme a Terrapin Bright Green, empresa responsável pelo desenvolvimento do relatório The Economics of Biophilia, existem alguns itens que devem ser levados em consideração para garantir melhores resultados no momento da elaboração do projeto de loja:

Investir na luz natural

A luz do dia é responsável pela regulação metabólica de nosso corpo, que colabora para melhorar nosso humor e sono. Com isso, a exposição de consumidores à luz natural em um ambiente de varejo faz com que a percepção de sua experiência de compra seja mais positiva. De acordo com o estudo The Economics of Biophilia, as vendas são até 40% maiores nas lojas em que existe a incidência de luz natural por meio de claraboias, por exemplo.

Apostar em materiais orgânicos

Materiais como madeira natural, pedra e couro são responsáveis por proporcionar sensações calmantes e restauradoras, enviando estímulos visuais/táteis positivos. Além disso, os materiais orgânicos colaboram para redução do estresse e aumento das interações sociais. O investimento nesse tipo de estrutura torna a experiência de compra mais convidativa e faz com que os clientes passem mais tempo na loja, passando a visitá-la com mais frequência.

Plantas, plantas e mais plantas

Conforme o material publicado no The Economics of Biophilia, os consumidores tendem a comprar mais mercadorias em lojas decoradas com vegetação natural. Além disso, a inclusão de plantas em um espaço de varejo ajuda na filtragem de poluentes e colabora para equilibrar a umidade no ar.


A vegetação também auxilia na motivação dos colaboradores, o que colabora para elevar o nível de satisfação do cliente. Ainda conforme essa pesquisa, a percepção dos compradores em relação ao valor dos produtos está alinhada à quantidade de plantas presentes no espaço.


Os ambientes de varejo projetados com os princípios básicos do Design Biofílico tornam o espaço mais saudável, provoca sensações de bem-estar, apresentando naturalmente um clima positivo, motivando os funcionários e encantando os clientes. Projetar um lugar com acesso à vegetação natural, abundante luz natural e materiais naturais são apenas alguns dos muitos elementos biofílicos que têm efeitos positivos para os varejistas e seus clientes, e ainda tornam o local digno de um ‘momento Instagramável’.


Loja da Apple em Macau – Projeto Foster & Partners – Foto: Nigel Young.



Loja Innisfree, projetada por SOFTlab em Seul. Uma estrutura central de folheado de madeira de carvalho branco é configurada em uma estrutura tipo treliça. Elementos semelhantes a pétalas feitos de papel reciclado de embalagens revestem as superfícies verticais. O padrão permite que a luz do teto de vidro da estufa se infiltre na loja.

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